Bauru - Mãe de garoto morto por PMs fala de sua dor
Notícia em 17 Dezembro,2007
Elenice conta como o filho de 15 anos foi espancado até a morte
Ainda em estado de choque, a dona-de-casa Elenice Silveira Rodrigues, 49 anos, afirmou ontem esperar que a repercussão da morte do filho sirva para evitar a existência de outras vítimas.
“Quero evitar que outras mães passem por isso”, disse ao Jornal BOM DIA na casa simples do Mary Dota.
Carlos Rodrigues Júnior, 15, foi espancado até a morte na madrugada de sábado, dentro do próprio quarto.
Seis policiais militares invadiram a casa, sem ordem judicial. Um ficou na sala com Elenice e a filha Débora, 26. Os outros cinco se trancaram no quarto de onde Juninho saiu machucado e arrastado pelos braços e pernas uma hora após a invasão. No início da manhã, a família foi informada sobre a morte.
A mãe ainda não havia conseguido dormir ontem à tarde.
Ela e a filha contaram que os policiais entraram na casa às 3h de sábado e logo se dirigiram ao quarto de Juninho, que teria sido derrubado da cama.
Do lado de fora, elas ouviram os policiais chamando o garoto de vagabundo e pedindo informações sobre uma arma. Também ouviram o adolescente gemer várias vezes.
Segundo Débora, depois de um tempo, um dos policiais abriu a porta e pediu a chave das algemas. Neste momento ela viu o irmão no chão e encolhido. Em seguida, ele foi arrastado para fora e levado pelos PMs.
“Ele era grande, mas ainda era o filho mais novo, o irmãozinho”, diz Elenice.
Ela ficou viúva quando Juninho tinha 7 anos. Os quatro irmãos mais velhos ajudaram a cuidar do caçula.
O adolescente era suspeito de roubar uma moto, que foi localizada no quintal da casa. A mãe e a irmã não sabem a procedência do veículo.
Após a invasão e o espancamento, Elenice foi levada para o 4º BPMI e, em seguida, ao plantão policial. Foi informada da morte por volta das 9h, por uma das filhas. Depois, passou o dia prestando depoimento e reconhecendo os policiais.
Depoimentos duram a madrugada toda
Para o tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4º Batalhão da PM do Interior, a morte do adolescente é conseqüência de uma ocorrência “mal elaborada e com resultado inesperado”.
Ele declarou ontem ter ficado surpreso com o comportamento dos policiais.
“Trabalhamos para preservar vidas”, disse.
Estão presos no Presídio Romão Gomes, em São Paulo, o tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, o cabo Gérson Gonzaga da Silva, 42, e os soldados Émerson Ferreira, 35, Juliano Arcângelo, 34, Maurício Augusto Delasta, 33, e Ricardo Ottaviani, 34.
O comando da polícia passou a madrugada de ontem ouvindo os depoimentos dos envolvidos. Eles foram presos em flagrante por homicídio e levados para São Paulo no início da manhã.
“O que eu tinha que fazer foi feito”, declarou Nardo. “Agora, está nas mãos da Justiça”, completou.
Para Débora Rodrigues, a polícia poderia ter levado seu irmão para apurar o roubo da moto, mas dentro dos procedimentos legais. “O que fizeram foi muito brutal”, afirmou.
Ela também faz questão de ressaltar que a família não participou do quebra-quebra promovido no Mary Dota em protesto contra a morte. Na hora da manifestação, os parentes acompanhavam o enterro de Juninho.
Advogados divulgam nota
Os advogados Sérgio Mangialardo, Luiz Henrique Mitsunaga e William Roger Neme, que defendem os policiais Gonzaga, Ottaviani, Delasta e Archângelo, divulgaram ontem nota em que “consideram prematura qualquer conclusão ou afirmação sobre o fato sem a oficialização do laudo de exame necroscópico realizado”.
Eles alegam que só esse documento vai mostrar o motivo da parada cardiorespiratória e o resultado do exame toxicológico.
“Importante frisar que a operação estava autorizada e sob o comando de um oficial responsável, bem como, baseado na informação e posterior confirmação através de reconhecimento, o menor efetivamente era o autor do roubo praticado horas antes”, escrevem.
Os advogados lamentam a morte do garoto, mas também os atos de vandalismo praticados no Mary Dota durante protesto.
Família desmontou quarto do garoto
A família do adolescente transformou o quarto em que ele dormia e foi espancado numa sala. Os móveis foram retirados para amenizar as lembranças ruins. Roupas, fotos e objetos de Juninho foram separados em caixas, colocadas num canto. A irmã Deise, 22, levará tudo para a casa dela. Juninho era como a família o chamava. Elenice não esquece que os policiais entraram chamando o garoto pelo apelido.
Com informações do BomdiaBauru
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Isso é uma vergonha,pms responsáveis pela segurança da sociedade passam a ser bandidos assassinos,agem fora da lei e são juizes e júri ao mesmo tempo e condenam à morte por conta própria. A família não deve se calar e tem que pedir uma alta indenização para o Estado porque os policiais ali presentes foram recrutados pelo Estado e assim considerados capacitados para exercerem suas funções, e se o Estado colocou a sociedade a mercê de ditadores cabe a ele se responsabilizar pelos danos causados a esta familia.